
Por agora olho directamente nos teus olhos
com um olhar terno e sentido
enquanto tu olhas os meus olhos também
e te apercebes que o olhar que te olha
é de puro agradecimento
de alguém que te adora de mais.

Pensei ser tudo aquilo que sempre quiseste ter,
não quis ser um olhar fugaz
ou uma flor que depois de seca
perderia toda a sua vivacidade
e acabaria n’algo chamado abismo...
Quis o teu sorriso,
quis acreditar em ti
e em tudo o que se passava à nossa volta,
o porquê de agora tudo estar tão vago,
tudo tão cinzento e escuro:
tão melancólico...
De que servem as doces recordações
agora que nos deparamos com um presente estuporado,
cruel,
vil...
O teu passivo silêncio incomoda-me,
enerva-me,
leva-me a dizer coisas que não sinto,
a irar...
Até que ponto o teu amor existe?
Até que ponto tudo foi verdadeiro?
E sim, é para ti que escrevo tais palavras,
Tu, que me fazes chorar e me magoas.
Tu, que sem me tocar me arrepias,
me humilhas, me afugentas...
Dei-te tanto de mim
sem esperar nada de volta.
Seria suficiente um olhar,
um gesto
(qualquer coisa)
para afastar do meu olhar este breu,
esta tristeza
que manchaste nos meus olhos tristes...
Estás sozinho, sem ninguém
Estás cansado, sem forças
Tens frio, congelas
Sentes dor, falta de amor
Lembras a amizade, deixou saudade
Olhas o presente, dá-te raiva
Segues a lua, estás no breu
Eis que te deitas, olhas o céu
Com quem falas? Não há vivalma
Falas com o papel, nunca te deixou
Nele confias, não só as alegrias
Mostras-lhe a dor, o amor
A amizade e a saudade
A raiva do presente
Passas-lhe o breu da alma
Que já nem a lua tem de tão escura que é
Ele não se magoa, ele não sente
É apenas papel, também não te mente
Não te magoa, não te ama
Não é teu amigo, não te sente falta
Não se chateia, não diz nada
Só esta ali, imóvel, quieto
Mas eis que por vezes
Depois de o riscares com o breu da alma
Ele a reflecte com claridade
E da apatia da sua brancura violada
Se levanta a resposta que procuravas
Aqui se encontram muitas recordações. Momentos que na altura eram presente, mas agora já la vão.
Aqui se encontram duas vidas, entre histórias, situações narradas e estados de espírito partilhados.
Aqui se encontram desabafos.
Aqui se encontram pensamentos.
Aqui duas pessoas se dão a conhecer.
Conheçam...